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Os “pés-vermelhos” que transformaram o cerrado

Descendentes de pioneiros mandaguarienses, há 30 anos os irmãos Luiz, João e Geraldo Figueiredo investiram no Estado de Goiás e se tornaram referência na agricultura brasileira
por Semiótika Comunicação, para o Jornal Agora em 19/05/2017

Nas décadas de 1970 e 1980, inúmeros agricultores paranaenses direcionaram seus investimentos para o Estado de Goiás. Atraídos pelo baixo preço das terras e a possibilidade de expandir as áreas cultivadas, essas pessoas se dispunham a deixar para trás a vida confortável, e quase sempre estabilizada, em suas cidades de origem para se aventurar em uma região desconhecida, onde precisavam desbravar o cerrado e conviver com a infraestrutura precária e a dificuldade para adquirir produtos e serviços essenciais.

Descendentes de pioneiros que chegaram à Mandaguari antes mesmo da fundação do município, os irmãos Luiz, João e Geraldo Figueiredo estavam entre os “pés-vermelhos” que encararam esse desafio. Em 1987 eles adquiriram seu primeiro lote de terras naquele Estado. A cidade escolhida foi Cristalina, distante 280 quilômetros de Goiânia e 130 quilômetros da capital federal.

Da mesma forma que seus ancestrais fizeram quando chegaram ao povoado Vitória, para abrir a primeira propriedade em Cristalina os Figueiredo passaram dias e dias morando em barracas montadas em meio à vegetação nativa, sem água encanada nem local adequado para tomar banho. Com poucas opções no comércio local, quase tudo era comprado em Goiânia e por conta da péssima qualidade das estradas, o deslocamento chegava a durar um dia todo.

Mesmo quando a lavoura de soja já estava formada, os problemas persistiam. “Com estradas de terra ruins e sem condições de escoar as produções, os prejuízos eram imensos. Havia lama ou muita poeira. Quando chovia muito até as pontes eram levadas. Arriscamos a vida inúmeras vezes para atravessar pequenas pontes de madeira”, conta Reinaldo, filho de Luiz.

As dificuldades enfrentadas no começo eram tantas, que Reginaldo, o filho mais velho de Luiz, chegou a duvidar que os negócios naquela região pudessem dar certo. Ele fez essa revelação durante uma entrevista ao programa Globo Repórter, que em 2013 exibiu um programa especial sobre Cristalina, cidade que se tornou um dos principais polos agrícolas do Brasil e concentra o maior Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário do país.

 

Referência no agronegócio

Diferente do que Reginaldo havia pensado lá atrás, assim como a cidade que eles escolheram para investir, os empreendimentos da família em território goiano também prosperaram. Atualmente eles atuam em oito segmentos do agronegócio. “Essa diversificação foi planejada para não ficarmos dependentes da monocultura, uma vez que nem sempre este segmento poderá estar bem”, explica Reinaldo.

O profissionalismo com que administram as propriedades e os investimentos que fazem em tecnologia tornaram os Figueiredo uma referência no agronegócio brasileiro e renderam diversas premiações à família. Suas práticas com gado de leite já foram apresentadas em um dos principais eventos mundiais sobre o assunto e no ano passado a abertura oficial da safra de soja no país ocorreu em uma de suas propriedades na presença das maiores lideranças brasileiras desse setor.

 

Preservando as origens

André, o filho mais novo de João, assim como Luiz, a esposa Maria e os filhos, Reginaldo e Reinaldo, ficam a maior parte do tempo em Cristalina, mas sempre que podem voltam para passar alguns dias em Mandaguari. Em Cristalina também mora Geraldo, que desbravou o cerrado junto com irmãos, mas hoje possui seus próprios negócios e não faz mais parte da sociedade.

Mesmo com a maior parte das atividades concentradas em Goiás e Minas Gerais, a família Figueiredo faz questão de preservar as origens e manter os laços com Mandaguari. João, a esposa Marcia, e os filhos Leandro e Letícia continuam morando e administrando os empreendimentos locais. “Mandaguari é nossa terra natal, nosso berço. Aí está nossa família, nossos entes queridos, aqui em Cristalina é somente o local de trabalho. Mandaguari é o lugar de passarmos o fim de ano, de ir à igreja fazer o Tríduo Pascal... Os amigos estão aí em Mandaguari e sempre que podemos estamos nos reunindo”, afirma Reinaldo.

 

Sucesso com simplicidade

Mesmo com todo o reconhecimento pelo trabalho que realizam, uma das marcas registradas dos membros da família Figueiredo é a simplicidade e a dedicação ao trabalho. Foi assim com os antepassados que ajudaram na colonização de Mandaguari e está sendo com a atual geração que participou da transformação do cerrado e está contribuindo para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Quando questionado se as próximas gerações da família manterão vivo esse espírito empreendedor, e por que não dizer aventureiro, Reinado se mostra otimista e ao mesmo tempo preocupado em preservar os valores pelos quais preza. “Torcemos para que sim. Nossos filhos ainda são muito pequenos e o futuro a Deus pertence, mas se depender de nós eles terão muitos desafios. Porém o mais importante não é fazer e ter, mas sim ser alguém na vida. Para viver não necessitamos de muita coisa, tentamos sempre levar uma vida simples, sem muito luxo. Fazemos o que gostamos, que é trabalhar e é isso que queremos ensinar a eles”, ressalta.

 

 

*Matéria publicada na 207ª edição do Jornal Agora

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