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Viapar quer negociar com Movimento

Após onda de manifestações e melhorias na Estrada Terra Roxa, empresa procura município e diz que quer negociar
por Júlio César Raspinha, para o Jornal Agora em 20/03/2017

Pela primeira vez desde que começou o Movimento Tarifa Zero a Viapar se manifestou quanto a discutir com a comunidade de Mandaguari. A princípio, um encontro na próxima semana deve colocar, frente a frente, representantes da cidade e da concessionária, detentora da praça de pedágio localizada a menos de cinco quilômetros do perímetro urbano do município.

Membro das concessionárias que detém o chamado Anel de Integração, a Viapar procurou o prefeito Romualdo Batista (PDT) e diz estar disposta a conversar com representantes da sociedade e abrir o diálogo. “Disse a eles que eles terão que discutir com o Movimento”, contou o chefe do executivo.

O encontro ainda não tem data nem local definidos, mas deve ocorrer na próxima semana, possivelmente em território neutro. Não existe uma pauta definida, mas o grupo que representa os moradores locais diz querer discutir única e exclusivamente a isenção da tarifa para carros com placas de Mandaguari.

“Eles nos exploraram por duas décadas e devolveram muito pouco do que levaram”, relata um morador. Para evitar retaliações, os membros que lideram o Tarifa Zero não se identificam e se assumem apenas como representantes da comunidade.

Questionado sobre a posição que vai adotar no conflito, o prefeito Romualdo Batista (PDT) foi taxativo. “Quero esgotar todas as chances de diálogo, mas se não houver acordo, sou 100% a população de Mandaguari”, garantiu.

AMEAÇAS

Em três oportunidades representantes da concessionária estiveram reunidos com o poder público de Mandaguari e a ARD (Agência Regional de Desenvolvimento) antes do início dos protestos.

Os encontros eram para tratar exatamente sobre a Estrada Terra Roxa, paralela à BR 376, ligando o município a Marialva. Na ocasião, um agricultor da região teve negado pela empresa o direito a um cartão de livre acesso, algo que muitos outros proprietários rurais da região possuem.

Como retaliação, ele abriu um buraco entre a Terra Roxa e seu imóvel, permitindo que motoristas passassem ao lado de um parreiral de uvas, já que a Viapar havia cavado, a alguns anos, buracos na estrada, impedindo o desvio do tráfego.

Na tentativa de impedir que se “fugisse” da cobrança, um representante da empresa ameaçou a Prefeitura de cortar um convênio que permite meia tarifa para alguns veículos locais se o poder público local não agisse para atender seus interesses. A ameaça não passou de mais uma bravata.

“NÃO FAÇAM ISSO, É LOUCURA”

Foi com esta frase que o assessor direto do prefeito Batistão, Paulo Conte, alertou um engenheiro da Viapar quando ele comunicou o município que fechariam a entrada de acesso à Estrada Terra Roxa. “Eles não me ouviram e o resultado está aí”, comenta Conte.

O guard rail colocado na entrada do trecho foi o estopim do movimento na terça-feira (7). No dia seguinte um grupo de moradores se reuniu e foi até a praça de pedágio, abrindo as cancelas por uma hora, gesto repetido com o dobro de manifestantes na última quarta-feira (15), quando advogados da Viapar tentaram, sem sucesso, impedir a manifestação através de uma medida judicial.

Grupos de whatsapp e páginas no Facebook foram criados e o nome Movimento Tarifa Zero surgiu entre um dos membros. O movimento encontrou eco em toda a comunidade e se aproxima de 1 mil participantes ativos somente na rede social whatsapp, divididos em quatro grupos.

Dentre esses membros, alguns nomes assumiram posições de liderança e passaram a tomar as decisões dos atos a serem realizados. Atualmente onze pessoas se reúnem com regularidade para decidir quais ideias sugeridas irão adiante. Nenhum se identifica e todas as decisões são colegiadas, sem que alguém receba a identificação de líder.

“Por dois motivos: para não criar ciúmes com uma eventual exposição maior, e também para que não sejamos vítimas da ira e da perseguição de uma empresa poderosa e perseguidora", explica um dos membros.

DOAÇÕES

Entre as decisões do grupo, duas ganharam o noticiário durante a semana. A primeira foi a sessão da Câmara Municipal na última segunda-feira (13). Na ocasião, uma multidão de mais de 400 pessoas se aglomerou no plenário do legislativo, que comporta 140 pessoas sentadas.

O objetivo era pedir a adesão dos vereadores locais ao movimento, algo que aconteceu com 100% de sucesso. Todos os vereadores assinaram o documento de apoio à “Tarifa Zero”. Um requerimento foi aprovado por unanimidade, onde os legisladores pedem ao prefeito o asfaltamento da Estrada Terra Roxa, caso a Viapar não atenda às demandas do movimento.

No dia seguinte, o grupo rateou custos e pagou para que uma máquina “abrisse” a Terra Roxa exatamente onde a Viapar havia cavado buracos, impedindo a passagem de veículos. Com isso, a área autorizada pelo agricultor pôde ser novamente fechada.

Na próxima semana, caminhões de cascalho serão jogados no trecho para assentar o solo. “É só o tempo melhorar um pouco que vamos deixar o desvio ainda melhor”, explica um dos representantes.

SILÊNCIO

Na segunda-feira (13) o assessor de imprensa da concessionária Viapar, Marcelo Bulgarelli, ligou para a redação do Jornal Agora. Na ocasião perguntou como estava o ambiente na cidade e ouviu que o clima para a empresa era dos piores.

Ao final se colocou à disposição para divulgar o posicionamento da empresa. Três dias após, na quinta-feira (16) foi procurado com o objetivo de permitir que houvesse um posicionamento oficial. Pediu que as perguntas fossem enviadas por escrito.

A reportagem atendeu seu pedido e as perguntas enviadas foram as seguintes: Qual a posição oficial da Viapar sobre as manifestações que ocorrem em Mandaguari contra a cobrança de pedágio? A Viapar se arrepende da forma com que fechou a Estrada Terra Roxa? A concessionária vai tentar fechar novamente a entrada da estrada rural? Como a Viapar encarou a negativa da justiça em tentar uma liminar contra a manifestação? Como a empresa encara a forte rejeição que possui na comunidade de Mandaguari? Por que os redutores de velocidade não funcionam na PR 444? Qual o posicionamento sobre as inúmeras tragédias verificadas na PR 444? Há falha de engenharia na rodovia? Existe previsão de colocação de muretas na PR 444, diminuindo o número de acidentes fatais?

Na contramão da velocidade em que tentar fechar o desvio, a Viapar não agiu rápido e não enviou as respostas até às 19 horas de sexta-feira (17), quando a edição foi fechada.

*Matéria publicada na 200ª edição do Jornal Agora

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