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Caminhos traçados na pele

Moradores de Mandaguari, Marcelo Bellini, 37 anos, e Giuliano Rizzo, 32 anos, trocaram os antigos empregos para se dedicarem à tatuagem
por Ederson Hising em 27/04/2013
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“Tem pessoas que nos veem na rua de shorts, tatuado, acham que somos vagabundos, que o que fazemos é hobby. Mas a gente vive disso”, conta Marcelo de Carvalho Bellini, 37 anos, tatuador e graduado em Comércio Exterior, apenas para começo de conversa.

Cansado dos padrões convencionais e da rotina de trabalho maçante, certo dia depois de uma conversa com a mulher – com quem é casado há dez anos –, e receber apoio incondicional, ele resolveu se dedicar à sua arte: a tatuagem. “Eu trabalhava na área que sou formado, só que era como água e óleo”, explica Bellini.

Se a mulher apoiou, os pais não ficaram atrás, mas o tatuador confessa que a primeira impressão foi de espanto por parte deles. “Agora eu preciso convencê-los a tatuar”, brinca. Segundo ele, desde a infância teve facilidade com desenho.

A ideia de ser tatuador começou a tomar mais corpo quando casualmente descobriu que um amigo dos tempos de escola também tinha o mesmo interesse. Juntos, os moradores de Mandaguari Giuliano Rizzo, 32 anos, arte-finalista que chegou a cursar publicidade e propaganda, e Marcelo, foram atrás de aprender o novo ofício.

Giu, como é conhecido, também é casado e pai de uma menina. O apoio da família também o incentivou. “Meus pais falaram que já que era o que eu queria, então que fizesse bem feito”, afirma.

Sem ter muita oportunidade de aprendizagem, um curso de três dias para quem já tatuava, serviu como base. O talento, a curiosidade, a dedicação e um pequeno estágio deram conta do restante. “Quando a gente resolveu visitar alguns estúdios, para ver como era mesmo, pegar algumas dicas pra começar o nosso, ninguém dava moral pra gente, não botavam fé”, revela Bellini.

Mesmo assim, nada de desistir. Os dois correram atrás, inclusive de um lugar pra tatuar. Alugaram um local, compraram os equipamentos básicos, juntaram móveis e acessórios que tinham em casa e montaram o estúdio. “Nunca me esqueço, a gente não tinha dinheiro nem pra comprar uma pia pro estúdio. Para pagar o primeiro aluguel tivemos que pedir grana emprestada pros pais”, relembra Rizzo.

Em dezembro de 2009, o Fusion Art Tattoo Studio entrou em funcionamento em Mandaguari. Desde então, o caminho vem sendo traçado na pele dos clientes. “Nas primeiras tatuagens a tremedeira era grande”, conta. “Mas só fazendo é que você aprende. E claro, tem sempre que estudar, participar de workshops, porque a troca de experiências é muito importante também”, acredita Bellini.


Higiene e qualidade dos materiais são fundamentais

De acordo com os tatuadores, uma dica para quem pensa em fazer uma tatuagem é se atentar principalmente para a higiene e qualidade dos materiais utilizados pelo profissional. “Não é só o talento. Esterilização de equipamentos, limpeza do local, qualidade de agulhas e tintas registradas na Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], essas coisas são fundamentais e tem que se levar em consideração”, analisa Marcelo Bellini.

 

Valorização do trabalho

Para quem trabalha com arte, seja ela qual for, sem dúvida a valorização do trabalho é algo difícil de conquistar. Giu e Marcelo são dessa opinião. “As pessoas precisam entender que tatuar também é uma profissão, um trabalho”, diz. “Acredito que o nosso, aos poucos, está sendo cada vez mais valorizado”, aponta Rizzo.

Segundo eles, sempre tem quem reclame do preço. Para isso, um cartaz no estúdio já dá a dica: “Sou um artista. Isso não significa que vou trabalhar grátis, tenho contas como você. Obrigado pela compreensão”, diz o recado.

Prova da valorização são os clientes de outras localidades que tatuam no estúdio em Mandaguari. “Sem contar as pessoas que são da região, já tatuamos clientes de outros países, como uma espanhola e um nova iorquino”, revela Bellini.

Além disso, algumas regras básicas são seguidas pelos amigos: não fazer o mesmo desenho em pessoas diferentes, tatuar menor de idade apenas com autorização do responsável, orientar o cliente que queira tatuar nome de outra pessoa, entre outras.

 

“Vi a evolução dele e me senti muito à vontade para tatuar”

Carlos Augusto Corsete Cestari, 26 anos, músico e arte-finalista, mais conhecido como Guto, diz ter acompanhado de perto o trabalho dos tatuadores desde o começo. “Era amigo dos caras há vários anos. Vi a evolução dele [Marcelo] e me senti muito à vontade para tatuar”, conta.

Ele afirma que pretende tatuar com o Giu ainda e recomenda o trabalho dos tatuadores. “Aqui da região é o melhor estúdio. Higiênico, com bons materiais, e o talento basta ir até lá pra conferir”, garante Cestari.

 

Curiosidades

Para os tatuadores, muitas vezes eles se tornam uma espécie de psicólogo durante as sessões. “Alguns até desabafam com a gente, mas considero isso normal até pela relação de confiança que acabamos criando com o cliente”, explica Marcelo.  

Porém, as curiosidades não param por aí. Algumas são até mesmo impublicáveis. Entre as principais experiências, os amigos destacam o fato de terem tatuado ao mesmo tempo a mesma pessoa, um em cada braço.

 

Matéria publicada originalmente na 11ª edição do Jornal Agora.

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